Paradoxos
Quantos papéis sociais são necessários para uma pessoa se perder?
Quantas semi-vidas temos que praticar para que possamos fingir que temos uma vida completa?
Barulho, carros, trânsito, buzina e criança chorando, tudo isso a um só tempo. Tantas coisas que não há espaço para nós mesmos em nossas vidas.
Casa, trabalho,internet, tv, rádio, o jogo, o medo, a violência que nos faz olhar para o lado desconfiados, tudo isso vai sugando uma parte de nós.
Quando nos damos conta do estrago, já é tarde demais: seu pensamento é precedido pela música e seus ideais parecem a cena do último capítulo da novela: você se ferra a vida inteira achando que vai ter um final feliz...
Talvez a angústia, a depressão e outras doenças que sempre existiram tenham encontrado em nosso tempo o ambiente ideal para se manifestar.
Não conseguimos compreender os paradoxos atuais: quanto mais temos, menos sonhos, quanto mais avanços mais problemas, quanto mais comunicação, mais distância existe entre nós, a ponto de nos sentirmos um estranho para nós mesmos.
Chegamos ao ápice da comunicação, e é justamente neste momento que devemos nos silenciar para realmente nos conhecermos.

