quarta-feira, maio 24

A revolta madura

Uma passeata organizada no dia 21 de maio denominada 'o dia da dignidade nacional' conseguiu levar milhares de pessoas a Av. Paulista e outras 22 cidades do Brasil para protestar contra a impunidade e a corrrupção que assola o país. Sua divulgação foi exclusivamente feita pela internet, pois que grande empresa midiática de respeito daria espaço para um grupinho de desconhecidos?
Bandeiras, faixas e gritos eram uma constante na manifestação.
Agora uma pergunta: na sua mente apareceu um monte de jovens com as caras pintadas de verde e amarelo?
Pois realmente era o que havia, entre outras coisas, mas com uma pequena diferença: a maioria das pessoas que estavam lá foram jovens nos anos 60. Seus cabelos brancos não se intimidaram em perder um pacato domingo em família para enfrentar duas horas de caminhada numa tarde cinzenta. Mas seus olhares procuravam em vão pessoas mais novas para apoiar.
Quebram-se todos os estereótipos construídos com tanto esmero pela sociedade e amplificados pela mídia: protestos e passeatas são feitos por jovens rebeldes. A revolta dos experientes, que se articularam através de e-mails e sites de relacionamentos como Orkut (de grande uso dos jovens), não causou tanto impacto na mídia, devido os manifestantes não apresentarem o perfil adequado: não eram jovens, não se confrontaram com a polícia, não teve atos de vandalismo e o pior: sem número de mortos para fazer um gráfico bonito. Assim, como eles não representam a realidade desejada, apaguem este devaneio de pessoas senis, que apesar de ter inúmeras experiências ainda não aprenderam a se formatar no padrão globo de qualidade.
Por que a realidade insiste em não se adequar a imagem?
Depois que só possuem três segundos de notícia ainda reclamam...

quarta-feira, maio 10

Sobre Che e Madruga




Circula por aí uma camiseta que, quando admirada à distância, enxerga-se a figura revolucionária de Che Guevara, mas ao ver de perto depara-se com a figura do Seu Madruga, do seriado mexicano Chaves.

As imagens de Che e Madruga, como todo imagem, são passíveis de assumir qualquer sentido. A camiseta bem-humorada conota também o esvaziamento ideológico e contextual de ambas imagens. A imagem pode distorcer infinitamente da realidade, e nota-se hoje como ela não necessariamente possui um correspondente real, concreto.

A sociedade que cultua imagens, dependendo do objetivo a ser alcançado – mercadológico ou moral - extrai ou enxerta significado à elas.

Ao sintetizar toda a essência ideológica e histórica de Che Guevara em sua foto, o risco de se perder a noção total das ideologias de acordo com as mutações dessa imagem, é gigantesco. A imagem de Che, de uma forma muito provavelmente alheia a sua vontade, foi reproduzida incansavelmente, ultrapassando seus ideais, a ponto de suas representações serem mais conhecidas que sua história e seus ideais.

O colunista Brook Larmer da revista Newsweek de julho de 1997, enumerou em seu texto razões que fazem de Guevara uma imagem apta para todo tipo de marketing:
“Ele parece representar, neste mundo consumista, um ideal de pureza, o paradigma do homem honesto, desprendido e em busca de aperfeiçoar sua personalidade. Além disso, morreu jovem, aos 39 anos, era bonito e ficava muito bem com a boina do Exército!”
Essa aura de “pureza”, que toda imagem a ser consumida necessita ter, contrasta e é de maneira conveniente dissociada das idéias políticas de Che.
Che esperava espalhar a revolução socialista, pregava a luta armada para combater o imperialismo, e ironicamente sua imagem é usada como uma opção certeira para o marketing e no máximo, no caso da camiseta, combate o mal-humor.


por Juliana Gonçalaves

terça-feira, maio 2

A televisão da paisagem

Paisagens tropicais, mares de água transparente, o mundo focado em uma imagem provocante, apenas um louco não gostaria de estar nesses lugares. A mídia busca cada vez mais chamar a atenção do telespectador, e por isso usa matérias com imagens exuberantes.

Muitos dos que assistem a televisão, provavelmente nunca estiveram ou estarão nesses ambientes vistos na sala de sua casa. O avanço tecnológico é tamanho que muitas aparelhos - e o modo como as materias são editadas -, nos dão a sensação de estarmos o mais próximo possível da região relatada naquele eletrodoméstico.

Um pedaço do jornalismo trasmite aos interessado o belíssimo mundo das paisagens, através da TV. Quem não fica de boca aberta ao assistir uma imagem de uma praia de águas cristalinas ou o último pedaço inexplorado da amazônia, ainda mais quando a semana foi dura e de muito trabalho.

Todo ser humano tem um lado ocioso que precisa de distração, mas imagens desse gênero excitam a mente dos incapacitados, que estão acostumados a trabalhar e, apenas viajar na onda das emissoras. Fazendo-os acrditar que realmente conhecem algo, sendo que, boa parte que conhecem das culturas é gracas a TV.

Agora, senso crítico para distinguir o cotidiano que não está nas imagens exuberantes, todos temos que possuir, pois a vida é muito distinta das belas paisagens.

por Tiago Ferretti